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Traço e dosagem: quanto de cimento entra no tijolo ecológico
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Traço e dosagem: quanto de cimento entra no tijolo ecológico

Na prática de mercado, o cimento fica em torno de 8% a 10% da mistura. Todo o resto é solo e água.

Esse número explica quase tudo sobre o material: por que ele é barato, por que ele é sustentável e por que ele é tão sensível a quem produz.

Por que tão pouco

O cimento aqui não é o corpo da peça — é o ligante. Quem dá corpo é o solo, compactado sob alta pressão. A prensa faz uma parte do trabalho que, no bloco de concreto, o cimento faz sozinho.

É por isso que o tijolo ecológico consome uma fração do cimento de um bloco convencional, e é por isso que a pressão da prensa importa tanto: quanto melhor a compactação, menos ligante é preciso para o mesmo resultado.

A conta que parece esperta e não é

Se 8% funciona, 6% funcionaria? Quase sempre não.

O que acontece com o traço enxuto demais:

  • a resistência cai abaixo dos 2,0 MPa exigidos pela NBR 8491 aos 7 dias
  • a peça fica mais porosa e absorve mais água
  • a durabilidade da parede exposta despenca
  • o lote reprova em ensaio, e aí o prejuízo é de produção inteira, não de alguns sacos de cimento

A economia aparente de cimento é a forma mais rápida de perder um lote — e, se o tijolo já foi vendido, de perder o cliente junto.

O que faz a dosagem variar

Três fatores, e nenhum deles é o preço do cimento:

1. O solo. Solo mais arenoso normalmente pede um pouco mais de ligante. Solo com mais argila pede menos, mas traz o risco de retração. É por isso que a análise granulométrica vale o que custa: ela define a dosagem com segurança em vez de chute.

2. O produto. Peça estrutural, que vai receber graute e carga, não usa o mesmo traço de uma pastilha de revestimento.

3. O tipo de cimento. Muda o tempo de cura úmida necessário — de 3 a 7 dias, dependendo do cimento — e a curva de ganho de resistência.

Onde economizar de verdade

Se o objetivo é baixar o custo por peça, o cimento é o lugar errado para mexer. Os lugares certos:

  • Matéria-prima na porta. Solo do próprio terreno ou resíduo disponível na região elimina a maior parte do custo de material.
  • Mistura homogênea. Um multiprocessador que tritura, mistura e peneira no mesmo equipamento evita bolsões de cimento mal distribuído — que é cimento jogado fora.
  • Cura bem feita. Um lote curado direito entrega a resistência do traço contratado. Um lote curado pela metade desperdiça o cimento que já foi pago.
  • Produtividade da prensa. Custo por peça cai muito mais com ciclo rápido do que com traço enxuto.

O controle mínimo

Três registros por lote, num caderno simples: traço usado, tipo de cimento e dias de cura úmida. Com isso, quando um lote der problema, dá para descobrir o motivo. Sem isso, cada problema vira mistério.


Próximo passo: veja os três métodos de cura e quando usar cada um.

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