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Elétrica e hidráulica sem quebra-quebra
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Elétrica e hidráulica sem quebra-quebra

Numa obra convencional, a etapa de instalações é sinônimo de marreta. Rasga a parede recém-levantada, passa o conduíte, remenda com argamassa, gera caçamba de entulho e reza para o remendo não aparecer na pintura.

No tijolo ecológico essa etapa é outra coisa.

Como funciona

Cada peça tem dois furos verticais passantes. Quando as fiadas se empilham, os furos se alinham e formam dutos contínuos dentro da parede, de baixo até em cima.

Os eletrodutos descem por esses dutos. As caixas de tomada e interruptor são posicionadas conforme a modulação da parede. Nenhum rasgo, nenhuma quebra, nenhum remendo.

O mesmo vale para a hidráulica: tubulações de pequeno diâmetro passam pelos furos, seguindo a mesma lógica.

A condição que ninguém pode ignorar

Tudo isso só funciona com uma contrapartida: as posições precisam estar previstas em projeto, antes da primeira fiada.

É a mudança cultural mais difícil para quem vem da alvenaria comum. Lá, a posição do interruptor pode ser decidida com a parede pronta, porque sempre dá para quebrar. Aqui, não dá — ou melhor, dá, mas você abriu mão de toda a vantagem do sistema.

Na prática, isso significa definir antes:

  • onde ficam tomadas, interruptores e pontos de luz
  • por onde sobe cada ramal elétrico
  • por onde passa cada ramal hidráulico
  • onde ficam os pontos que vão receber graute (porque furo grauteado deixa de ser duto)

Esse último item é o que mais gera retrabalho quando esquecido: descobre-se na obra que o ramal previsto passa exatamente por um pilar estrutural.

O que não passa pelo furo

Nem tudo cabe. Colunas maiores e ramais horizontais pedem solução específica:

  • shaft — um espaço vertical reservado, típico de banheiro e cozinha
  • forro — para ramais horizontais de água e esgoto
  • parede de vedação — uma parede não estrutural, mais fácil de trabalhar

Nenhuma dessas soluções é exótica: são as mesmas usadas em alvenaria estrutural convencional. O ponto é que elas precisam estar decididas no projeto, e não improvisadas na obra.

O ganho que aparece na conta

Três coisas somem da obra:

  1. O serviço de rasgo e remendo, que é mão de obra pura
  2. A caçamba de entulho dessa etapa
  3. O risco estrutural de rasgar uma parede em posição errada

E uma coisa aparece: a previsibilidade. Com o projeto definido, a etapa de instalações vira montagem, não demolição.

Um detalhe de execução

Vale passar um guia (arame ou corda) pelos furos antes de fechar a fiada superior, nos ramais que ainda não receberam conduíte. Puxar cabo em duto pronto é simples; improvisar passagem depois, nem tanto.


Próximo passo: veja vergas, contravergas e cinta de amarração ou o guia completo de construção.

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