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Quanto se economiza de verdade numa obra modular
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Quanto se economiza de verdade numa obra modular

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Os números que circulam sobre tijolo ecológico são reais. Só costumam vir sem a letra miúda — e a letra miúda é o que separa a obra que economiza da obra que decepciona.

Vamos aos dois.

Argamassa: até 70% a menos

De onde vem. Só a primeira fiada é assentada com argamassa, para nivelar a base. Da segunda em diante, o assentamento é feito com um cordão fino de cola de argamassa polimérica, aplicado nos filetes da peça. O encaixe macho-fêmea faz o trabalho que a junta de argamassa fazia.

A letra miúda. Isso vale quando a primeira fiada está perfeitamente nivelada. Base torta obriga o pedreiro a corrigir com material nas fiadas seguintes — e aí a economia evapora junto com a precisão.

Reboco: até 8 vezes menos material

De onde vem. A parede sai da prensa com precisão dimensional e sobe alinhada. Não há aquela camada grossa de reboco que existe para disfarçar a irregularidade da alvenaria comum.

A letra miúda. O ganho máximo aparece quando não há reboco nenhum — parede aparente com verniz, ou pintura direta com selador. Se a obra vai rebocar mesmo assim, a economia existe, mas é a do material a menos, não a do serviço inteiro.

Entulho: praticamente zero

De onde vem. As instalações elétricas e hidráulicas descem pelos furos verticais do tijolo. Sem rasgo, sem quebra, sem o caçamba de resíduo que toda obra convencional gera nessa etapa.

A letra miúda. Depende de as instalações estarem previstas em projeto. Se alguém decidir a posição da tomada com a parede pronta, volta a quebra — e o entulho junto.

Prazo: de 2 a 3 vezes mais rápido no levante

De onde vem. O encaixe alinha a peça sozinho e a cola tem aplicação rápida. O pedreiro sobe parede em ritmo bem superior ao da alvenaria convencional.

A letra miúda. Com equipe treinada. Não é preciso equipe especializada, mas os primeiros dias são mais lentos, até o pedreiro pegar o ritmo do encaixe. Obra pequena com equipe estreando pode não sentir o ganho completo.

E o que não economiza

Justiça com o leitor: nem tudo fica mais barato.

  • Fundação é a mesma de qualquer obra, e continua exigindo nivelamento e impermeabilização — que aqui são ainda mais críticos.
  • Graute e ferragem dos pilares e da cinta de amarração são custo normal de estrutura. Economizar aí não é economia, é risco.
  • Projeto ganha peso. Modulação e pontos de instalação precisam ser definidos antes, e isso costuma significar um projeto mais detalhado.

A conta que fecha

A economia real de uma obra em tijolo ecológico vem menos de um item espetacular e mais da soma de vários: material de assentamento, material de revestimento, caçamba de entulho, dias de mão de obra.

E ela dobra de tamanho quando o próprio dono produz o tijolo — porque aí o custo do insumo principal deixa de ser preço de mercado e passa a ser custo de produção.


Próximo passo: veja as 12 etapas de uma obra ou como montar uma fábrica.

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